sábado, 2 de julho de 2016



Roda de Conversa na Semana de Psicologia da Uff - na última quarta feira dia 29 de junho: ENGRENAGENS CARCERÁRIAS NO CONTEMPORÂNEO


Sendo o Brasil hoje um dos países que mais encarcera no mundo, torna-se mais do que nunca pertinente discutir a situação das pessoas presas. As condições carcerárias hoje vigentes são muito ruins, com prisões superlotadas, comida de má qualidade e pouca, más condições sanitárias, corrupção. Não bastasse tudo isso, a inusitada crise econômica do estado também atinge os presídios, atrasando salários de servidores e piorando a qualidade da alimentação, entre outras mazelas. A roda de conversa discutiu a experiência dos participantes do Núcleo Transcrim no Projeto Vida, do SIAPE, no qual temos contato com presos de presidios do regime semi-aberto. A burocracia da prisão, a demora na concessão de benefícios aos presos, o fato de que a maioria dos presos do estado provém dos bairros mais pobres da cidade e cometeu delitos de menor gravidade (furto e pequeno varejo de drogas), todos esses elementos configuram essa posição do Brasil como país encarcerador como um problema de graves consequências humanitárias. Por outro lado, esse problema diz respeito não apenas a quem está preso, mas a toda a sociedade, que sofre com as consequências desse modo de lidar com a conflitividade social, através da presença ostensiva da polícia nas ruas, gerando muitas mortes por arma de fogo em confrontos armados, entre outros fatos lamentáveis. Todos sabem que a prisão não produz nenhuma "recuperação" e no entanto a solução prisional continua a ser cada vez mais utilizada. Uma das razões para conhecer a realidade dos presídios (o que é um dos objetivos da roda de conversa - fazer com que mais pessoas conheçam a experiência que estamos tendo de visitar os presídios e ter contato com os presos) diz espeito a ser testemunha dessa realidade que hoje afeta um número crescente de pessoas, além dos presos: suas famílias, profissionais que trabalham nos presídios, e toda a sociedade, manipulada pela mídia no sentido de crer que seu maior problema é o crime, e a acreditar na multiplicação da solução penal frente ao mesmo. (Cristina Rauter)






Luiz Eduardo Ferreira, Silvia Carvalho, Ana Clara Damasco, Cristina Rauter, Martha Lima 



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