Cartografia da construção de práticas transdisciplinares no campo da violência e dos processos de criminalização: interferindo sobre os efeitos das engrenagens carcerárias
Projeto de pesquisa coordenado pela professora Cristina Mair Barros Rauter no período de 2015/2016
A complexidade do fenômeno da violência no contemporâneo requer um alargamento das fronteiras do saber psicológico para que possa ultrapassar certos impasses que atravessam a compreensão dos processos de produção de subjetividades e dos processos da ordem do coletivo. Essa ampliação deve dar lugar a práticas que possam produzir diferença, ultrapassando limitações ligadas à permanência de preconceitos e de concepções negativas que limitam a percepção e a consequente capacidade de intervenção de terapeutas, educadores, profissionais de saúde e outros trabalhadores sociais. Como fazer funcionar dispositivos que possam ultrapassar a negatividade existente no campo das práticas psicológicas? O presente projeto de pesquisa visa a montagem de dispositivos capazes de interferir sobre os efeitos das engrenagens carcerárias de modo a produzir perspectivas de resistência e potencialização subjetiva, acompanhando através do método cartográfico este processo. É sabido que o encarceramento produz efeitos mortificadores que atingem tanto os detentos quanto suas famílias, além dos profissionais que atuam nessas instituições. Vivemos hoje, no tocante à questão do encarceramento, um momento em que o Brasil ocupa a quarta posição entre os países que possuem maior quantidade de pessoas presas. O sociólogo francês Loïc Wacquant (2001) descreveu o fenômeno por ele denominado “Estado Penal”, no qual o estado de bem estar social foi sendo substituído pela prisão enquanto política pública privilegiada para lidar com as chamadas populações vulneráveis. Embora este processo esteja se dando em vários países, a solução prisional tem se revelado ineficaz, não só por não deixar de multiplicar o número de novos detentos, mas também por oferecer à sociedade uma solução somente baseada na punição e com efeitos negativos que a se alastram no campo social.
Buscamos na filosofia de Baruch de Spinoza elementos para afirmar a ineficácia do ódio e da vingança presentes na visão hegemônica baseada na pena e no castigo e o fortalecimento de práticas de expansão da vida. O clamor por punição e vingança são, na perspectiva Spinozista, limitações do conhecimento que podem ser superadas através de outra modalidade de conhecimento onde afeto e razão se conjugam. A denominação “engrenagens carcerárias” diz respeito a considerarmos que não apenas a prisão, mas um conjunto de instituições é responsável pela hegemonia da solução repressiva para o crime, incluindo-se aí a polícia, mídia, a escola, entre outras. A lógica prisional atravessa todo o campo social, produzindo subjetividades, multiplicando estereótipos e produzindo modelos de solução de conflito que concorrem para realimentar a própria engrenagem, num círculo vicioso.
No momento atual da pesquisa estamos paraticipando do projeto Vida, da coordenação de Psicologia do Sistema Penitenciário e realizando intervenções grupais numa unidade do Sistema Penitenciário do Estado do Rio. Dessas intervenções têm participado Ana Clara Damasco Borges, bolsista PIBIC, Heder Belo (discente de graduação) e Martha Bento Lima, pesquisadora que realiza seu Pós Doutorado no Programa de Pós Graduação em Psicologia da UFF. Desse modo nos voltamos para a questão dos efeitos das engrenagens carcerárias e para a construção de estratégias de potencialização e resistência neste campo.
No momento atual da pesquisa estamos paraticipando do projeto Vida, da coordenação de Psicologia do Sistema Penitenciário e realizando intervenções grupais numa unidade do Sistema Penitenciário do Estado do Rio. Dessas intervenções têm participado Ana Clara Damasco Borges, bolsista PIBIC, Heder Belo (discente de graduação) e Martha Bento Lima, pesquisadora que realiza seu Pós Doutorado no Programa de Pós Graduação em Psicologia da UFF. Desse modo nos voltamos para a questão dos efeitos das engrenagens carcerárias e para a construção de estratégias de potencialização e resistência neste campo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário