Montagem de grupos de Homens que tiveram um episódio de violência contra as mulheres no Município de Juiz de Fora, MG.
Projeto de Pesquisa do professor Luiz Gibier de Souza para o programa de pós-graduação em Psicologia na UFF
Deleuze no seu livro A literatura e a Vida, nos mostra que escrever é um assunto do devir, sempre inacabado, sempre em vias do fazer-se. Rauter citando Deleuze e Guattari faz referencia ao livro Mil Platos onde os autores afirmam que escreveram o Anti-Edipo a dois e, como cada um era vários, já era muita gente -! Ou seja, escrever aponta para o inesperado e é fruto do múltiplo que atravessa cada um de nós.
Esse devir na escrita aumenta a minha liberdade de buscar narrativas e construir propostas no campo da intervenção social. Em 2015, Juiz de Fora, recebeu a visita da Dra. Piot, que na ocasião era a Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres em Minas Gerais, a qual não só falava da expansão da rede de Delegacias das Mulheres em MG e no Brasil,mas também da necessidade de apoiarmos essas mulheres nas mais diferentes formas; tentando desnaturalizar alguns conceitos tais como a questão de gênero, o lugar que os homens e mulheres ocupam na família e na sociedade, a questão da violência doméstica, e assim, propunha a flexibilização destes papéis não só na perspectiva social, mas também cultural e politica. Dra. Piot disse que naquele momento, a expansão da rede de apoio à mulher era importante, principalmente para as Mulheres Vitimas de Violência Doméstica (MVVDs), mas não existia no estado nenhum trabalho realizado com os Homens Agressores.
Como supervisor de Psicologia e Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, e já tendo estabelecido convênio no fim do ano de 2013 com a Casa da Mulher, a qual pertence à Prefeitura Municipal de Juiz de Fora,iniciamos o nosso trabalho dentro da Casa da Mulher no inicio de 2014, colocando um plantão de estagiárias (os) de psicologia diariamente na unidade no sentido de oferecer um serviço as MVVDs que quisessem conversar com alguém do setor de psicologia. O fluxo da porta entrada na Casa da Mulher passava pela triagem inicial junto às secretarias, em seguida encaminhavam as mulheres para a Psicologia, depois para a Polícia para fazer o B.O. (Boletim de Ocorrência) e, em seguida, para o setor Jurídico para ver se a mulher vítima estaria disposta a entrar com uma Medida Protetiva contra o homem envolvido no ato de agressão. Tal medida encaminhada para o (a) Juiz (a) obrigaria num curto prazo de tempo que o homem responsável pelo episódio de violência deixasse a casa (se fosse o caso) e este sim, não mais poderia se aproximar da MVVD sob pena de prisão imediata. Caso a mulher apresentasse sintomas físicos clássicos de violência doméstica, tipo inchaços, lesões, manchas no rosto e no corpo, faz-se imediatamente o encaminhamento para a Delegacia da Mulher, que fica no andar de cima da Casa da Mulher.
Através dos trabalhos realizados pelo setor de Psicologia e a parceria com a área Jurídica dentro da Casa da Mulher, começamos a ficar familiarizados com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), link http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm, a qual protege incondicionalmente as mulheres vítimas de agressão e de violência doméstica.
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